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EDUCAÇÃO

NORMAL SUPERIOR FORMA PRIMEIRA TURMA EM PICOS

TURMA HISTÓRICA TEVE ISABEL BATISTA DE BARROS COMO PARANINFA

2009-10-13

DA EQUIPE

DISCURSO DA PARANINFA, FROFERIDO POR ISABEL BATISTA DE BARROS, NA SOLENIDADE DE COLAÇÃO DE GRAU DOS LICENCIANDOS EM NORMAL SUPERIOR DO INSTITUTO ANTONINO FREIRE – NÚCLEO OPERATIVO DE PRICOS, EM 09 DE OUTUBRO DE 2009



Nesta noite sinto-me lisonjeada e privilegiada por vários motivos.
Primeiro, por ser homenageada ainda em vida, pois geralmente as pessoas só recebem honras depois de mortas.
A homenagem de paraninfá-los deixou-me surpresa e perplexa, pois ao longo destes vinte e sete anos de magistério nunca tinha recebido nenhum reconhecimento, elogio que, por pequeno que fosse, nos deixaria alegres e motivados para o grande mister. Quere dizer a vocês que não farei mais parte da legião de mestres que se foram sem ser reconhecidos por seus pares. Meus descendentes não lamentarão essa injustiça fez o escritor Francisco Miguel de Moura por ocasião de posse na Academia de Letras da Região de Picos, recentemente, quando se referiu ao Mestre Miguel Guarani: “Em vida ele nunca recebeu uma homenagem. Morreu sem que ninguém reconhecesse o seu valioso trabalho.”
Outro motivo de lisonja, é ser homenageada por uma turma histórica, especial, como a de vocês.
Caríssimos formandos, estão aqui seus familiares, mestres, educadores e amigos mais importantes. Enfim, aquelas pessoas especiais que escolheram livremente para compartilharem este instante sui generis de suas vidas.
Nos vários discursos que li buscando inspiração para esta minha fala, encontrei no pronunciamento do professor Darcy Ribeiro, Doutor Honoris Causa da UNB, quando se dirigia à sua platéia, essas palavras: “Quisera, hoje, ter a mente clara como nunca, e um corpo que respondesse inteiramente a meu comando, para dizer aquela fala sábia e sentida que cabe nesta hora.”
É assim que me sinto.
Pensei em falar das diversas disciplinas que ministrei, do método científico e seu criador, da didática, currículos, planejamento e seus defensores atuais, como Candau, Libâneo, Teresa Nidelcoff, Wernek, Paulo Freire, Cezar Coll e tantos outros que tivemos contatos durante esse tempo, mas isto vocês leram e discutiram exaustivamente e o que não lembram é só consultar portfólio.
Vamos falar da História de nossa querida Escola Normal Oficial de Picos que há mais de quarenta anos vem formando educadores que tiveram atuação decisiva para o desenvolvimento da macrorregião de Picos. Foi responsável também pela liberação da mulher picoense para o mercado de trabalho. Até 1969, quando saiu a primeira turma, a mulher vivia só de seus afazeres domésticos, sem nenhum provento que fosse de seu, dependendo completamente de seus pais ou companheiros.
Desta Instituição saíram todas as professoras que atuavam na rede pública e privada de Picos e microrregião.
A sociedade, nessa virada de Século, com a globalização, os avanços tecnológicos, a descoberta do genoma humano, a competitividade no mercado de trabalho, passou a exigir a formação de professores não mais de nível médio; mas, sim, de nível superior. Com a aprovação da LDB do professor Darcy Ribeiro, em 20 de dezembro de 1996, esta contemplara o anseio do povo. O art. 62 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação diz que:

A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal.

Logo em 1997, começamos a sonhar e discutir sobre a possibilidade da implantação na ENOP do Curso Normal Superior. Foram várias reuniões, as vezes em pequenos grupos, no início com a direção da professora Ana Maria de Araújo Batista, que sempre deu abertura para as discussões; participávamos de reuniões em Teresina e, em análise, Picos contemplava as exigências do Ministério da Educação; tínhamos estrutura física (um dos melhores prédios), quadro docente qualificado, aceitação da comunidade e respaldo político.
Com a elevação do Instituto de Educação Antonino Freire à Condição de Instituto Superior, em 14 de julho de 2004, pela Lei Estadual Nº 5.402, acendeu-se mais ainda em nós a esperança da Escola Normal Oficial de Picos ser elevada a Normal Superior. Então, na gestão democrática da professora Marinalva dos Santos Neiva, que abraçou esta causa sem medir esforços e acreditando que isso seria possível, juntamente com o conjunto de educadores da ENOP, finalmente em 21 de fevereiro de 2006 deu-se início às primeiras Turmas de Licenciatura Plena em Normal Superior do Instituto Antonino Freire – Núcleo Operativo de Picos.
Aqui estamos testemunhando o grau que ora lhes foi conferido numa festa brilhante, juntamente com a gestora Teresa Márcia Martins Dantas e as pessoas que fazem parte do corpo administrativo e docente, educadores valorosos e comprometidos com a causa da educação que não medem esforços para manter a qualidade do ensino em nosso Núcleo Operativo de Picos. Por questão de justiça, não posso deixar de pronunciar nesse momento os nomes das professoras Deolinda Marques, Erinalda de Sousa, Irisneide Maria de Sousa, Ivana Barros, Maria do Carmo Martins, Maria Gorete, Maria do Socorro Pinheiro, Neonara Luz, Sueli, bem como, do professor Ategilson Teodomiro da Silva, com quem divido os loros dessa glória de educadora.
Hoje entregamos à sociedade 78 professores qualificados para atuar na educação básica, a mais importante, pois é nos primeiros anos escolares que formamos o caráter, a boa conduta, o equilíbrio emocional, o desenvolvimento físico e social, enfim, a cidadania.
Na Década da Educação temos certeza que nós educadores cumprimos a nossa parte.
A todos o meu abraço afetuoso.

 

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