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Literatura

DOS POEMAS DE CURVAS DO MEU CAMINHO AO ROMANCE MÚSICA PARA PENSAR

Hardi Filho fala do romance de Gílson Chagas

2009-07-31

Hardi Filho, da Academia Piauiense de Letra

Meu amigo Gilson Chagas foi o orador da turma de formandos do Curso de Ciências Contábeis do Centro de Ensino Superior do Vale do Parnaíba – CESVALE , de 1994, turma que teve como paraninfo o professor José Eduardo Pereira e como patrono o então deputado federal João Henrique de Almeida Sousa.
Vinte anos antes, portanto ainda muito jovem, morando em Picos, Gilson Chagas havia estreado literariamente com o livro de poemas “Curvas do Meu Caminho”, em cujo prefácio o Dr. Nery Marciano já dizia: “a obra nada mais é do que haverá de ser, no futuro, a criação do talentoso filho da pequenina Santo Antônio de Lisboa, que dá com a presente publicação o seu primeiro voo literário, um voo muito promissor.”
Daí a nove anos lançava seu segundo livro, “A Ferro e Fogo”, do qual eu disse que o Autor se revelava um romancista de estilo próprio, com jeito singelo de narrar, entremeado de alusões e conotações que passeavam do picaresco ao grave, não diria filosófico, mas vivencial. Talvez uma apologia do trivial da vida, tendo como pretexto jovens aspirações e comportamentos no espaço e no palco, respectivamente, das realidades íntima e social.
Dessa segunda publicação até o bacharelado em Ciências Contábeis, quando já morava em Teresina, e do qual falei no início, havia transcorrido um espaço de 12 anos, razão por que, como amigo, naquele momento cobrei a sua volta à literatura, em face da potencialidade como escritor, que não me parecia de estreante, e sim de experimentado mestre no ofício.
O tempo foi passando. Gilson saiu do Piauí, cumprindo em outros estados seu destino de trabalho, de estudo e de vida, que, vale repetir, serve de exemplo para todos nós, antigos e moços; exemplo nas profissões que abraçou, exemplo como pessoa, como chefe de família; exemplo de inteligência e capacidade humana. Já publicou vários livros (didáticos), todos bem aceitos pela crítica e bem recebidos pelo público. O mais recente, porém, o romance MÚSICA PARA PENSAR, me faz relembrar um conhecimento e uma amizade de muitos anos. E não só isso. Me cobra e enseja uma obrigação de dizer uma verdade antes percebida e agora plenamente confirmada: pela bela, perfeita e diversa utilização das falas regionais, pela linguagem em si, na dialogação e especialmente no campo histórico-narrativo. Com este romance – MÚSICA PARA PENSAR – o escritor Gilson Chagas, sem dúvida, deve ser visto, tratado e considerado como um dos melhores romancistas da atualidade brasileira.

 

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