MORRE CHAGAS RODRIGUES, SOBREVIVERÁ UM MITO DA POLÍTICA PIAUIENSE
2009-02-08
Ozildo Batista de Barros
AS ÚLTIMAS NOVIDADE DO GOVERNO CHAGAS RODRIGUES
Brasília – 07.02.2009, 19:30h. Acaba de falecer nesta Capital o ex-governador do Piauí, Chagas Rodrigues.
Estou na Capital Federal para a reunião do Conselho Federal da OAB. Recebo a notícia quase na mesma instante, através de Reginaldo Santos Furtado, que se encontra no Piauí e, certamente, foi o primeiro a ser informado sobre o infausto acontecimento. Pediu-me que o representasse nos funerais, pois estava de todo impossibilitado de comparecer, por problemas de saúde.
Fiz contato com os familiares e fui informado que o velório ocorrerá a partir das 14 horas de hoje, no Templo 1 do Cemitério Campo da Esperança, aqui de Brasília; e o sepultamento, às 17:00 horas, no mesmo cemitério.
Francisco das Chagas Caldas Rodrigues nasceu na cidade de Parnaíba, em 08 de novembro de 1922. Filho de Poncion de Queiroz Rodrigues e Inévia de Caldas Rodrigues. Casou-se com dona Maria do Carmo Correia de Caldas Rodrigues, falecida em novembro de 2006. Teve quatro filhos: Terezinha de Jesus, Almira, Maria da Conceição e José Alexandre. Foi Deputado Federal por duas legislaturas, antes de se tornar governador do Piauí. Governador do Piauí no período de 1958 a 1962. Retornou à Câmara Federal, sendo cassado pela Ditadura Militar, ficando impedido de retornar ao Piauí até à reabertura política. Recuperou nas urnas o seu assento no Congresso Nacional, desta feita como Senador/Constituinte; e mais uma vez, Deputado Federal na legislatura seguinte.
Pouca coisa posso recordar do Governo Chagas Rodrigues, pois tinha entre dois e seis anos de idade, época em que morava na roça com os meus pais. Mesmo assim, algumas recordações da minha infância aparecem juntas ao mito Chagas Rodrigues. Tempos mais tarde, tive o privilégio de tê-lo como companheiro na Executiva Estadual do PMDB, na luta pelas “Diretas-Já”, pela Constituinte e pela retomada do Governo do Estado do Piauí, “pelas forças democráticas”, como soava na sua extraordinária oratória. Mas havia evidentemente o corte de uma geração inteira sem participação política, que criou um enorme fosso, estabelecendo uma enorme distância entre essas gerações. De tal sorte, posso dizer que a minha ligação maior com Chagas Rodrigues deu-se através do seu Secretário de Governo, Reginaldo Santos Furtado, de quem tenho o privilégio de desfrutar o convívio e a amizade por cerca de três décadas. Reginaldo, com certeza, é o maior defensor da verdade histórica daquele período, coberto com o chumbo da Ditadura Militar, do oportunismo das Oligarquias e, finalmente, do Crime Organizado.
Somos credores de uma verdade que nos foi sonegada, de lideranças políticas cassadas, como Chagas Rodrigues. De uma mal interpretada ética que fez com que a verdade sabida e vivida não fosse revelada, pelo menos até o presente momento histórico. Na última retorno de Chagas Rodrigues ao Piauí, o jornalista Zózimo Tavares tentou entrevistá-lo, mas já não era mais possível...
Chagas Rodrigues morre e nós precisamos viver e proteger a nova geração de líderes políticos.
Precisamos saber as últimas novidades do Governo Chagas Rodrigues.
Do contrário, caminhamos a passo firme rumo ao retrocesso político.
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